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Novas vagas acirram superconcentração

Projeção de conselhos de medicina aponta aumento da desigualdade na distribuição de médicos para os próximos anos

Redação AMP domingo, 22 de julho de 2012
Novas vagas acirram superconcentração

A abertura de novos cursos e vagas de medicina, ao invés de solucionar a falta localizada de médicos no Brasil, poderá acirrar a desigualdade na distribuição desses proi ssionais pelo território nacional e aumentar sua concentração no setor privado. Estas são algumas das conclusões da  projeção “Concentração de Médicos no Brasil em 2020”,  elaborada em parceria pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

O estudo foi divulgado em junho e integra o projeto Demograi a médica no Brasil.  De acordo com o Ministério da Educação, nos próximos anos serão abertas 2.415 vagas em cursos de medicina já existentes, 800 delas no setor privado. Com a ausência de políticas públicas que ofereçam suporte à fixação dos médicos em locais onde há carência de proi ssionais, a projeção indica superconcentração de médicos em determinadas áreas do país, como capitais e municípios de médio porte.

Projeção – Uma das conclusões do estudo é que a abertura de novas vagas não é necessária para que o país se aproxime da meta considerada ideal pelo governo federal. Em 2020, existirão 455.892 médicos no Brasil – sem o auxílio das novas vagas. Considerando-se que o país terá uma população de 207.143.243 pessoas, a razão será de 2,20 médicos por 1.000 habitantes. Este indicador é de 0,30 médico por mil habitantes, menor do que a meta deifinida pelo governo (2,5/1.000) – meta, aliás, apontada pelo CFM e Cremesp como resultado de mera abstração, desprovida de fundamento cientíi co.

 Conforme a projeção, em 2020 três estados terão mais que três médicos por 1.000 habitantes e oito estados estarão acima do índice de 2,5 médicos por 1.000 habitantes – a meta stipulada pelo governo. “A ida de egressos das escolas para locais onde hoje faltam médicos fica comprometida pela falta de programas de residência e de condições de trabalho e emprego que façam com que o recém-formado encare sua fixação como um objetivo”, alertou o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila.

Postos – No estudo Demograi a médica no Brasil, divulgado em 2011, o CFM e o Cremesp tomam como referência o número de “postos de trabalho médicos ocupados” nos setores público e privado. Contabilizando-se os usuários de planos de saúde e os postos médicos em estabelecimentos privados, obteve-se 7,60 “postos disponíveis” para cada 1.000 clientes privados. Para a população usuária do SUS, a razão observada foi de 1,95. O estudo reforça o entendimento de que, com a manutenção do cenário atual, o aumento da população médica favorece o setor privado. Ou seja, para cada novo profissional se verifica o incremento de 1,86 posto de trabalho médico ocupado no setor privado, enquanto no setor público este aumento é de 1,35 posto de trabalho. “Estamos certos de que isso desautoriza o governo federal a ai rmar que novas vagas abertas irão necessariamente solucionar a falta de médicos no SUS”, ressalta Renato Azevedo, presidente do Cremesp.