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Movimento busca cofinanciamento do Estado para tratamento de pacientes com doença renal crônica

Redação AMP domingo, 28 de abril de 2024
Movimento busca cofinanciamento do Estado para tratamento de pacientes com doença renal crônica
O cenário da doença renal crônica no Brasil e no Paraná foi tema, nesta segunda-feira (29), de reunião promovida pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante - Regional Paraná (ABCDT-PR), com a participação de nefrologistas de Curitiba e outros municípios do Estado. 
 
O objetivo do encontro, ocorrido na Associação Médica do Paraná, com a presença do vice-presidente da AMP, Dr. Luiz Antônio Munhoz da Cunha, e da coordenadora de Defesa Profissional, Dra. Viviana Lemke, foi o de fortalecer o movimento em busca do cofinanciamento, pelo Estado, das ações e serviços de Terapia Renal Substitutiva (TRS) aos pacientes com insuficiência renal crônica, uma ação conjunta com a Sociedade Paranaense de Nefrologia (SPN).
 
De acordo com o Dr. Ricardo Akel, vice-presidente da ABCDT-PR e superintendente do Grupo Instituto do Rim do Paraná, a doença renal crônica está em processo de expansão. Contrariamente, porém, as redes de serviços de diálise têm se mantido inertes e em retração em várias regiões do Brasil, gerando crise assistencial de demandas reprimidas e falta de vagas.
 
Dados de 2023 da Sociedade Brasileira de Nefrologia apontam que a doença renal crônica acomete entre 700 e 900 pessoas em cada 1 milhão de habitantes. No Brasil, a prevalência média é de 771, onde há mais de 157 mil pacientes em tratamento dialítico, em 886 serviços de diálise, cujo custo é coberto em 76% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
 
No Paraná, que se aproxima de 12 milhões de habitantes, são 8.647 doentes renais crônicos fazendo diálise, sendo cerca de 7 mil custeados pelo SUS e 1,6 mil por planos de saúde. Estima-se, entretando que, além destes, aproximadamente 1,2 mil pessoas possuem alguma forma de doença renal, sem diagnóstico ou tratamento preventivo, caminhando para o agravamento de sua condição. A projeção para os próximos dez anos, em nível nacional, é de um aumento de 10% a cada ano ou dois.
 
O Dr. Ricardo Akel explicou que a insuficiência da rede assistencial frente à crescente incidência é resultante da falta de investimento em serviços públicos, em dimensão e produtividade necessárias, além da decadência da remuneração pelo Ministério da Saúde aos serviços contratados. E alertou para a gravidade da situação, informando que, apesar da rede de serviços ser bem distribuída e de qualidade no Paraná, a crise de demandas reprimidas e carência de vagas para diálise, já existente em muitas regiões do País, está chegando ao Estado.
 
Por isso, são fundamentais as ações de fortalecimento da promoção da saúde renal e prevenção contra a doença dos rins, entre outras, e o cofinanciamento da Terapia Renal Substitutiva, para proporcionar a recuperação do valor dos procedimentos, a manutenção, qualificação e expansão da linha de cuidados e a autossuficiência e inovação com foco na TRS.
 
Alguns Estados já iniciaram, a partir de 2021, o cofinanciamento. São eles: Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Amazonas, São Paulo, além do Distrito Federal.
 
A ABCDT-PR levará as reivindicações ao secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto, e, nesta terça-feira (30), participa de audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná.
 
Apoio
 
O vice-presidente da Associação Médica do Paraná, Dr. Luiz Antônio Munhoz da Cunha, declarou o apoio da entidade ao movimento. “A AMP é parceira de todos os que procuram melhorar o atendimento aos pacientes. É uma causa justa, em nome da Medicina”, afirmou. O posicionamento foi corroborado pela coordenadora de Defesa Profissional, Dra. Viviana Lemke, que destacou o papel da AMP e o trabalho que vem realizando pelas causas da classe médica e da saúde.
 
Também estava presente na reunião o vice-presidente da Sociedade Paranaense de Nefrologia, Dr. René dos Santos Neto.